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Sequestro sob Suspeita
O sequestro relâmpago dos jornalista e cinegrafista da Globo tem ingredientes farsescos. A Globo armou um teatro para nacionalizar o PCC e atingir Brasília. Basta ver a facilidade com que o caso se resolveu. O PCC se contentou com pouco e a Globo cedeu rapidamente. A exigência era mínima: exibir um vídeo com uma declaração de um suposto membro do PCC. Aliás, na rede Bandeirantes um bandido da facção deu uma longa entrevista por telefone. O furo jornalístico causou reação na concorrência. Daí a estranheza do dito sequestro. A transcrição da declaração que foi exibida pela Globo é um documento em uma linguagem erudita, jurídica e com erros propositais, como se espera de Marcola, o bandido letrado. Até uma criança poderia concluir isso. É muito estranho que o PCC sequestrasse uma jornalista e se contentasse com a exibição do vídeo na madrugada, quando poderia ter exigido um horário nobre, o que causaria uma repercussão mais espetacular. Mas se houvesse muita demora teria o risco da polícia descobrir a farsa. Essa é uma situação talhada sob medida para aliviar a carga do PSDB na crise da segurança pública de São Paulo, transferindo a culpa para o governo central e fazendo muita fumaça para ser usada politicamente pela oposição. Isso me lembra o sequestro de Abílio Diniz, em uma eleição presidencial, quando os bandidos presos foram obrigados a vestir uma camisa do PT para serem fotografados, como ficou comprovado posteriormente. A foto estampada em todos jornais e na TV derrubou Lula nas pesquisas, às vesperas do segundo turno da eleição, que deu a vitória ao Collor.
Gugu já fez um ator figurante ser entrevistado como um bandido do crime organizado e foi um escândá-lo. Portanto, já temos antecedentes na área. Então eu posso está enganado, mas até prova em contrário, saboreio o meu engano. A cena da libertação do jornalista foi muito pouco convicente, a dramaticidade estava muito forçada. Ou o Portanova disfarça bem o próprio sofrimento ou é um péssimo ator...
Escrito por Newton Lecarva às 19:46
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