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Suzane von Richthofen

 A revista Época trouxe nessa semana uma reportagem sobre Andreas, irmão da Suzane, com uma revelação interessante sobre o seu desempenho escolar, o que é surpreendente, dada às circunstâncias em que vive. O moço foi aprovado em prestigiada universidade paulista no disputadíssimo curso de Medicina, mas desisitiu e fez vestibular em farmácia e bioquímica, ficando entre os primeiros lugares. Química e biologias são as áreas em que se destacou na escola. Envolvido em uma tragédia familiar tão dolorosa, esse sucesso nos estudos serve para demonstrar a extensão de sua inteligência. E de certo modo, é um parâmetro para se aferir a inteligência de sua irmã. Ela, poliglota, cursava Direito e também não teve a menor dificuldade com o vestibular. Inteligentes e bem afinados, os dois continuaram unidos mesmo após a revelação da participação de Suzane no assassinato dos pais . O irmão, que a havia perdoado, com frequência lhe visitava na cadeia. E ainda agiu com cumplicidade no sentido de tentar fazer sumir um revólver que se encontrava em sua casa, que a irmã disse pertencer ao namorado. A dissidência entre eles surgiu com a disputa em torno da herança dos país, cujo valor é um segredo de justiça, e foi deflagrada por uma ação do tutor dela, o advogado Denivaldo Barni, ao questionar a capacidade de Andreas em gerir os bens da família. Denivaldo Barni é um capítulo à parte. Ele tornou-se hoje a figura chave na vida de Suzana Von Richthofen, ré confessa de um crime hediondo. E aqui entra o golpe de mestre da moça, arquitetado por uma mente brilhante, de acurada inteligência, mas sem nenhuma porosidade emotiva ou julgamento moral.

Logo após sua prisão, desamparada obviamente pela família, um amigo de seu pai, o engenheiro José Simão, lhe deu assistência e providenciou uma advogada. Isso deveria ser suficiente para uma pessoa abalada, desamparada, mas não para a mente atilada da moça. Um efetivo amigo de seu pai iria ser apenas um ombro furtivo, discreto. Quando o advogado Denivaldo Bani, procurador do Dersa, colega de trabalho recente de seu pai e sem muita intimidade, foi na prisão para saber notícias, sequer falou com Suzana. Mas na saída declarou que foi prestar solidariedade a um ser humano e não em nome da empresa. Mas a moça inferiu algo. Escreveu então uma carta para o advogado, uma folha de papel almaço, frente e verso, de conteúdo não revelado. E aí tudo muda. Em seguida, o advogado já surge, na cobertura da imprensa, como tutor legal de Suzane.Tudo resultado da mágica carta. A moça o brinda com demonstraçoes de carinho e mimo, e ganha um ardoroso protetor, que lhe providencia os melhores criminalistas de São Paulo e uma advogada apenas para acompanhar a demanda com o irmão em torno da herança. E o time de advogados prestigiados revertem sua situação completamente. Logo ela ganha liberdade condicional. A moça vai para a casa do tutor e iniciam uma campanha na mídia em favor da dúvida sobre a sua culpabilidade. A sedutora Suzane conseguiu tudo sem derramar uma lágrima, apenas com a carinha angelical, sensual e uma inteligência brilhante e manipuladora e com esse golpe magistral, estabeleceu em torno de si um cinturão de proteção.

Esse time de causídicos, liderados por seu tutor, passou a batalhar com denodo e paixão por ela. Mantiveram-na sem contato com a imprensa até que romperam o silêncio em uma entrevista manipulada, um furo de reportagem em cumplicidade com a revista Veja, que acabou se frustrando quando a arrmação foi revelada no Fantástico. A linha de defesa é colocar a moça como vítima do namorado. Para isso conseguiram matérias favoráveis, habilmente construídas. Formaram um círculo de discreta simpatia que se amplia na mídia. E isso não é estranho. É um ponto de honra do sistema salvar a minoria branca. A justica amordaça e encarcera os dois cúmplices na execussão do crime para que não atrapalhem a defesa de Suzane. Essa diferença de tratamento em relação aos irmãos Cravinhos tem ferido a alma popular nas ruas. E o brasileiro anda sensível. Em poucas vezes da nossa história a face cínica e cruel da elite ficou tão visível. E aí o mérito não é dos irmãos Cravinhos, mas da eleição de um presidente operário fora dessa minoria branca. O Brasil agora está mostrando de verdade a sua cara, não a popular, que se vê nas ruas, mas a da elite, os dono do poder, dispostos a tudo para recuperar o espaço parcialmente perdido. Casos como o de Suzane e Pimenta Neves servem para ilustrar que o controle social, econômico e especialmente a justiça ainda estão nas mãos da minoria branca...

 

MLST

 

O vídeo amador, apreendido pela polícia, divulgado nas tvs, sobre as reuniões preparativas do MLST, serve para provar que a descontrolada invasão do Congresso foi uma ação desvairada de elementos infiltrados com a intenção de sabotar um movimento liderado por membro da executiva nacional do PT. A extrema direita, basta se ler a Veja desta semana, está disposta a tudo para atingir de alguma maneira a larga vantagem nas pesquisass eleitorais do presidendente Lula. As tranquilas reniões do MLST, mostradas no vídeo, dramaticamente apresentados como prova do planejamento da invasão, em nada poderia sugerir o desvario da invasão, onde a depredação do patrimônio público era o único objetivo. Tudo para fazer passar a idéia de que o PT, partido do presidente, invadiu irrespondavelmente o congresso e a a culpa é da conivência de Lula. Como o PT é um partido de otários,a direita se infiltra com uma facilidade assustadora. Em entrevista, Bruno Maranhão, o petista líder do movimento, parecia mais perdido que cachorro depois de cair do caminhão de mudanças...

 



Escrito por Newton Lecarva às 19:27
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