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A Folha de São Paulo é um jornal que conheço profundamente. Fui assinante durante muitos anos. Sempre foi um jornal moderno, que apesar de leve, cerca com minúcias a informação. Mas aos poucos fui percebendo a alma enviesada do jornal e a onisciente presença de Otávio Frias Filho, publisher da Folha, como o jornal costuma pomposamente chamar um dos seus donos e herdeiro. Em poucos jornais o nariz do dono é tão visível, e está enfiado na consciência de cada um de seus colunistas. Arnaldo Jabor foi espirrado quando a sua verborragia louvatória a FHC começou a escapar do padrão de qualidade do jornal, embora o seu Publisher estivesse umbilicalmente ligado ao empoado tucano-mor. Essa atitude louvatória escancarada não era bem vinda à Folha, que sabe como ninguém iludir o leitor. Durante algum tempo, conseguiu se passar por um jornal simpatizante do PT, o que lhe valia uma aura de modernidade e independência. Depois com muita habilidade e persistência crítica, colou o rótulo de conservador ao Estadão, um jornal tradicional, sem as táticas folhetinescas do concorrente, e na tv Globo, de oportunismo governista. Em seguida, associou-se ao grupo Globo no jornal Valor, reduzindo em 95% as suas críticas ao grupo, deixando uma quirela crítica para satisfazer um leitor mais atento. Agora, com a vitória de Lula, foi obrigado a tirar a máscara. O jornal não é anti-petista, é anti-Lula, assim como é anti-Maluf e é pró-Marta, pró-FHC. E quando é anti ou pró, é o jornal inteiro, com um ou outro gato pingado escalado pára fazer a contraposição salvadora da aparência. Tal qual durante o golpe midiático contra Collor, em seu momento orgásmico de poder, quando jornal destinava todo primeiro caderno a sangrá-lo, enfiando no mesmo saco Alagoas, parentes, aderentes. Colocou cientista social demolindo Canapi e ridicularizando a obesidade sertaneja dos irmãos de Rosane, a jovem e brega primeira dama, como era caracterizada. Obviamente, que sem a Veja, que deu início e liderou o processo, a Globo, o PT, o PFL, O PSDB, a FIESP, FIERJ, FEBRABAM, etc, não teria derrubado o presidente Collor, mesmo em seu exercício solitário de poder. Mas quando apóia, como na gestão FHC, esconde e dissimula os aspectos negativos.


A verdade é que o publisher da Folha enfiou o jornal no jogo mesquinho do poder, em detrimento da independência da informação, da construção de sociedade mais justa. E o pior de tudo é o disfarce, a máscara que usa para influenciar a opinião pública, negando a sua face conservadora e preconceituosa, além da capilaridade de interesses empresariais. Resta agora observar a relação da empresa Folha da Manhã com o dinheiro público. Mas o pior de tudo é que a mídia brasileira, de um certo modo, tem filial no inferno. A Veja , por exemplo, apresenta um estilo peculiar em seus longos artigos, tal a precisão de detalhes, reproduzindo diálogos e reuniões absolutamente secretas, sem testemunhas, como se seus articulistas fossem invisíveis e testemunhassem tudo, em qualquer época, qualquer lugar... E não importa os desmentidos, vale a versão...Puro romance!



Escrito por Newton Lelis às 15:43
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